sábado, 20 de agosto de 2011

O passado já não volta. . .

Qual o sentido da vida? Nenhum? Todo? Nascemos, vivemos, morremos. É tudo igual. Ninguém escapa. A vida é esta merda que dizemos que amamos. Bom, alguns dizem, porque outros odeiam-na. A minha opinião? Sinceramente, não sei. Tem algumas coisas boas. . . Mas tem tantas más. . . Talvez as únicas coisas boas sejam as recordações do passado. Um passado bastante próximo, mas que não deixa de ser passado. E dificilmente vai voltar a ser presente. Perder uma das pessoas que mais amamos é muito complicado. Já fez um ano que perdi uma dessas pessoas. E quase seis que perdia a outra. . . Será que algum dia os vou recuperar? Gostava. . . De os recuperar e que eles se recuperassem um ao outro. É tão triste ver uma família despedir-se assim. Sem ninguém perceber o porquê. . . Não sei porque estou a escrever isto. Talvez esteja sob influência dos pensamentos de Margarida Rebelo Pinto, ou talvez da Dra. Ana Granja, cuja obra “Sem ti, Inês” me encontro a ler. São coisas muito profundas, e difíceis de explicar. Seja lá como for, já perdi muito. Sim, o tempo passou, não sei se o amor acabou, mas sei que serão sempre família. Enquanto escrevo isto, correm lágrimas involuntárias que já não consigo controlar mais. Estou tão farta de tudo. Será que não tenho direito a ter uma vida normal, com uma família normal, como todos os outros têm? Isto é dedicado a vocês os dois: Miguel e Nuno. Porquê razão não vos tenho ao pé de mim, nos momentos em que mais preciso? Há coisas tão difíceis de suportar.
Miguel, lembras-te de como nós éramos felizes? Tenho tantas recordações tuas da minha infância, a melhor época que passei ao teu lado, em que me levavas pra todo o lado. Nunca me deixavas pra trás. Lembro-me de namorares com a Fátima. . . A mãe levava-nos ao forte e lá íamos nós de lancha pra S. Jacinto, brincar na praia, almoçar em casa da Fátima, passear o dia inteiro. Depois foi a Sara. A Sara, aquela de quem eu mais gostei. . . Lembras-te da boneca que ela me ofereceu? Tinha um vestido azul, cabelo louro e chamava-se . . . Sara. Lembro-me de como ficaste chateado quando lhe cortei os longos cabelos. Eu só queria que ela fosse igual à Sara verdadeira. Não sabia que o cabelo não voltava a crescer. . . Quando a Sara desapareceu lá de casa, eu não percebia porquê. Quis morrer nessa altura, por achar que ia encontrá-la no céu. Tive muitas saudades dela. . . Depois, apareceu a Maria João. Vinda do nada, apareceste em casa com ela e disseste que ias casar. Chorei muito nesse dia, não queria que te fosses embora com ela. Agora, pensando bem, eu tinha razão para não gostar dela. Pior que as bruxas. Eu tinha 9 anos, quando aconteceu uma coisa que me fez voltar atrás na opinião que tinha sobre ela. Nasceu a Sílvia. Mas foi sol de pouca dura, pois rápido me apercebi que ela não queria nem gostava daquela coisinha minúscula que era a minha primeira sobrinha. . . Pobre criança que não pediu pra nascer. . Mas 16 meses depois tudo acabou e tu começaste a fechar-te num armário do qual não querias sair. Até que apareceu a Nani. . . E pouco tempo depois, nasceu a Diana. 1994, começou mal, mas acabou bem. Nasceu a Diana, a minha menina. Quando tudo parecia estar a correr bem, já eras sócio na agência, tínhamos o Minuto a funcionar plenamente, surgiu o Diogo. . . E com ele, a separação. Nunca percebi o que correu mal nesse casamento. A Nani fazia tudo por ti, aturava as tuas paranóias sobre a Sara, aturou o peso das tuas mãos muitas vezes, acho que mais nenhuma tinha feito o que ela fez por ti. Da separação ao divórcio foi uma questão de semanas. Achei que estavas louco, até ter percebido que já tinhas outra vitima. . . Ana Paula. Mais uma vez, foi uma questão de meses até aparecer a Ana. Depois. . . Bem, depois foi a ruptura com a família. Primeiro, com o Nuno, depois comigo e, por fim, com a mãe. Ainda nenhum de nós consegui perceber porquê. 23 de Agosto, o dia da tristeza. Já passaram seis anos. . . Sabias que eu era capaz de dar a minha por ti. Ainda sou. Amo-te mais que tudo nesta vida. És o meu irmão. Aquele com quem passei os melhores momentos da minha infância. Tenho saudades tuas. E, apesar da tua arrogância e do teu orgulho nojento, sei que sentes a minha falta. Se algum dia, quiseres mudar, eu estou aqui. Como sempre estive, à tua espera. Foste um pilar muito forte, ao qual eu me agarrei quando perdi parte da minha razão de viver. Sei que também fui um pilar para ti, quando precisaste de miminhos por teres discutido com a mãe e por achares que ninguém no mundo gostava de ti. Se algum dia te voltares a sentir assim, procura-me. Vou estar sempre presente para ti.